Alcolumbre quer unificar propostas sobre minerais críticos, diz Jardim

Texto do Senado mantém os principais instrumentos econômicos da Câmara, mas enfraquece poder de controle do governo sobre negócios no setor

Alcolumbre quer unificar propostas sobre minerais críticos, diz Jardim
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Alcolumbre quer unificar propostas sobre minerais críticos, diz Jardim

Texto do Senado mantém os principais instrumentos econômicos da Câmara, mas enfraquece poder de controle do governo sobre negócios no setor

Gabriel Garcia e Aline Becketty, , Brasília

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pretende unificar as duas propostas em tramitação no Congresso que criam uma política nacional para os minerais críticos e estratégicos, segundo o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), relator do texto aprovado pela Câmara.

A articulação deve colocar na mesma mesa o projeto enviado pelos deputados, que concede poderes mais amplos ao governo para acompanhar investimentos e negócios envolvendo ativos minerais estratégicos, e uma proposta originada no Senado, cujo desenho reduz a capacidade de intervenção do conselho responsável pela política.

“Alcolumbre disse que pretende tratar rapidamente dessa questão. Acho que serão tratados em conjunto aquilo que foi a proposta feita pelo Senado com aquilo que foi enviado pela Câmara. Ele disse que vai tratar em conjunto as propostas e brevemente”, afirmou Jardim nesta quarta-feira (5).

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O texto da Câmara é o Projeto de Lei 2.780 de 2024, de autoria do deputado Zé Silva (União-MG). A proposta foi aprovada pelos deputados em maio, sob relatoria de Jardim, e institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

O projeto também cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, ligado à Presidência da República. O colegiado seria responsável por definir quais substâncias integram a lista brasileira de minerais críticos, selecionar projetos prioritários e coordenar instrumentos de financiamento, industrialização e agregação de valor.

Um dos pontos mais sensíveis é o poder concedido ao conselho sobre mudanças de controle de empresas, fusões, aquisições, reorganizações societárias e contratos internacionais envolvendo projetos minerais considerados estratégicos.

A primeira versão do relatório previa a necessidade de anuência prévia do governo para essas operações. Após críticas do setor privado sobre possíveis atrasos, insegurança jurídica e excesso de poder discricionário, Jardim substituiu o mecanismo por um processo de triagem e homologação.

Pelo desenho aprovado pela Câmara, as empresas teriam de informar ao conselho dados como volume de produção, destino dos minerais, beneficiário final, estrutura societária, grau de processamento e utilização prevista para o produto. O colegiado poderia avaliar se determinada operação representa risco à soberania, ao abastecimento nacional ou à estratégia de industrialização do país.

A proposta em discussão no Senado, por sua vez, é o Projeto de Lei 4.443 de 2025, apresentado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) e relatado na Comissão de Infraestrutura pelo senador Wilder Morais (PL-GO).

O relatório de Wilder também cria um conselho ligado à Presidência, mas limita sua atuação sobre operações societárias ao "registro e acompanhamento", em conjunto com a Agência Nacional de Mineração. Na prática, o texto não atribui ao colegiado, de forma expressa, o mesmo poder de triagem e homologação previsto na proposta da Câmara.

A diferença reflete uma das principais disputas em torno da política de minerais críticos.

O projeto relatado por Wilder também prevê a criação de Zonas de Processamento de Transformação Mineral, destinadas a concentrar empresas de beneficiamento e industrialização em regiões produtoras. Além disso, permite o uso de fundos públicos, debêntures incentivadas, contratos de financiamento vinculados à produção futura e créditos fiscais para projetos prioritários.

O substitutivo apresentado no Senado aproveita grande parte do texto aprovado pela Câmara, sobretudo os instrumentos destinados a financiar projetos e estimular o beneficiamento e a transformação dos minerais dentro do país.

As duas propostas reservam R$ 5 bilhões em créditos fiscais entre 2030 e 2034, com limite de R$ 1 bilhão por ano. O benefício poderá corresponder a até 20% dos investimentos realizados por empresas em atividades de beneficiamento, transformação mineral e mineração urbana.

O relatório de Wilder também mantém a autorização para que a União aporte até R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor da Atividade Mineral. O mecanismo deverá oferecer garantias e diminuir o risco dos financiamentos destinados aos empreendimentos do setor.

Outro ponto incorporado do projeto relatado por Jardim é a obrigação de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Durante os primeiros seis anos, as empresas deverão destinar 0,3% da receita considerada pelo projeto para pesquisa e inovação e 0,2% para o fundo garantidor. Depois desse período, o percentual destinado à pesquisa sobe para 0,5%.

A redação dos dois textos é praticamente igual nesse ponto, embora haja uma diferença na base de cálculo. A Câmara considera a receita operacional bruta descontados os tributos incidentes, enquanto o substitutivo do Senado menciona a receita líquida das atividades.

As principais divergências, portanto, não estão nos incentivos econômicos, mas no modelo de governança e no alcance dos poderes do conselho.

Outra diferença está nas regras relacionadas às exportações. O projeto aprovado pela Câmara autoriza o governo a estabelecer parâmetros técnicos e compromissos de agregação de valor vinculados à venda dos minerais ao exterior, além de exigir informações sobre destino, beneficiário final, estrutura societária e grau de processamento. Essa previsão não foi reproduzida com o mesmo alcance no substitutivo apresentado no Senado.

Atualmente, o projeto aprovado pela Câmara está no Senado e recebeu um pedido de urgência. A proposta apresentada por Renan Calheiros permanece na Comissão de Infraestrutura, sob relatoria de Wilder Morais. A decisão de Alcolumbre sobre a análise conjunta deverá definir qual dos projetos será usado como base para a construção do texto final.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/alcolumbre-quer-unificar-propostas-sobre-minerais-criticos-diz-jardim/