Deam de Santarém Kamila Andrade/g1 A Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Santarém, no oeste do Pará, passa a funcionar 24 horas por dia. O anúncio foi feito pela governadora Hana Ghassan nesta segunda-feira (3). Nas redes sociais, ela também reforçou a autorização para a realização de um novo concurso público da Polícia Civil, com o objetivo de ampliar o efetivo da segurança pública no Estado. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp A decisão ocorre em meio à comoção provocada pela sequência de feminicídios registrados no município nas últimas semanas e busca fortalecer a rede de proteção às mulheres vítimas de violência. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Hana Ghassan afirmou que a ampliação do funcionamento da Deam é uma resposta à necessidade de oferecer atendimento ininterrupto às vítimas, mas reconheceu que ainda há desafios para tornar esse modelo realidade em outras regiões do Pará. "Quatro mulheres tiveram a vida interrompida por ex-companheiros aqui em Santarém. E muita gente me escreveu pedindo para eu me posicionar. Se eu não fiz antes, é porque me revolta vir aqui lamentar. Então, primeiro eu busquei viabilizar uma mudança fundamental: a Delegacia da Mulher aqui de Santarém vai estar aberta 24 horas. E eu quero que isso vire um padrão no Pará, mas demanda orçamento, efetivo e treinamento", declarou. A governadora também anunciou que autorizou a realização de concurso público para a Polícia Civil, destacando que o reforço no quadro de servidores será fundamental para ampliar o atendimento especializado e fortalecer as ações de combate à violência contra a mulher. O que é feminicídio? Além das medidas voltadas à estrutura da segurança pública, Hana Ghassan fez um apelo para que as mulheres realizem o cadastro no programa SOS Mulher, ferramenta criada pelo Governo do Pará para agilizar o atendimento em situações de emergência. Segundo ela, o cadastro é gratuito, rápido e permite que, em caso de risco, a mulher acione a Polícia Militar pelo telefone 190 sem precisar falar, possibilitando que as equipes identifiquem sua localização e prestem socorro com mais rapidez. A governadora ressaltou que o aplicativo deve ser utilizado de forma preventiva. "O SOS Mulher não é só para quem pensa que vai ser agredida. É para qualquer mulher. É como uma vacina: você não toma pensando que vai ficar doente, mas para se proteger." Os dados mais recentes reforçam a gravidade da situação em Santarém. Entre janeiro e julho deste ano, a Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher recebeu 1.873 pedidos de medidas protetivas de urgência, uma média de aproximadamente 270 solicitações por mês. Atualmente, tramitam 902 ações penais relacionadas à violência doméstica, envolvendo crimes como ameaça, lesão corporal, descumprimento de medidas protetivas e feminicídio. Levantamento da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) aponta que, entre janeiro e junho deste ano, Santarém registrou dois feminicídios consumados, seis tentativas de feminicídio e 535 casos de lesão corporal em contexto de violência doméstica. Os três crimes ocorridos em julho ainda não aparecem nesse balanço porque aconteceram após o fechamento dos dados oficiais. No mesmo período de 2025, haviam sido registrados um feminicídio, nove tentativas e 351 ocorrências de lesão corporal, indicando aumento expressivo nos casos de agressão contra mulheres. A escalada da violência teve início em 19 de março, quando Caroline Fontineli Carneiro Pereira, de 26 anos, foi morta a tiros dentro de um carro nas proximidades do viaduto de Santarém. O autor dos disparos, o policial penal Renato Matos Parente, atirou contra a própria cabeça após o crime e morreu meses depois, em julho. No dia 19 de julho, Tainá Yarina dos Santos Cardoso, de 29 anos, morreu após uma discussão com o companheiro, o advogado Wlandre Gomes Leal, que está preso preventivamente. Menos de uma semana depois, em 25 de julho, Edmara de Sousa Góes, de 22 anos, foi encontrada morta em um terreno baldio no bairro Maracanã. Um adolescente confessou o crime e permanece internado em uma unidade socioeducativa. O caso mais recente é o de Dayse Diniz, de 25 anos, desaparecida desde 23 de julho e encontrada morta cinco dias depois em uma área de mata na comunidade São Brás, região do Eixo Forte. O principal suspeito, João Pedro Pereira dos Santos, confessou o assassinato. Durante as investigações, a Polícia Civil descobriu que ele era foragido do sistema prisional e cumpria pena por outro feminicídio cometido em Uruará. A Justiça converteu sua prisão em flagrante em prisão preventiva.
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