Voto de Carmén Lúcia preocupa tanto Moraes quanto Mendonça
Ao CNN 360º, Matheus Teixeira aponta que ministra enviou recados aos dois lados durante sessão do STF, gerando preocupação nos grupos rivais
O voto da ministra Cármen Lúcia gerou preocupação nos grupos próximos a Alexandre de Moraes e André Mendonça. De acordo com Matheus Teixeira, aliados dos dois ministros avaliaram que a ministra enviou uma série de recados durante a sessão, com mensagens direcionadas a cada um dos lados do conflito interno na Corte.
Durante o CNN 360º desta quarta-feira (16), o analista de Política apontou que, em relação a André Mendonça, Cármen Lúcia teria demonstrado descontentamento com o fato de o julgamento estar ocorrendo em pleno período eleitoral.
"Isso foi visto como um recado para o ministro André Mendonça, mas o recado para o ministro Alexandre de Moraes foi igualmente importante e até mais duro", destacou Teixeira.
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2026-09-16 17:19:59Sobre Moraes, a ministra levantou o debate sobre a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal abrir uma investigação contra um de seus próprios ministros, mesmo diante de uma posição contrária da Procuradoria-Geral da República.
"A PGR é, segundo a Constituição, a titular da ação penal. Ou seja, apenas a Procuradoria que pode, ao final de uma investigação, apresentar a denúncia. Sem a apresentação da denúncia, não há o que ser investigado. Essa foi a tese levantada pelo ministro Alexandre de Moraes", explicou Teixeira.
Cármen Lúcia rebateu a tese: "A jurisprudência vem mudando. Não é porque a Procuradoria diz que não tem o que ser investigado que a gente é obrigado a aceitar a posição da titular da ação penal", resumiu o analista.
Em seu voto, Carmém Lúcia citou casos da época de Augusto Aras durante a pandemia, quando o STF, em diversas ocasiões, contrariou a posição da Procuradoria-Geral.
"Não pode, segundo ela, um único homem ou Procurador-Geral da República ter esse poder absoluto e exclusivo", destacou Teixeira.
Perspectiva de agravamento da crise
Segundo o analista de Política Teo Cury, Cármen Lúcia e Edson Fachin estariam atuando juntos para tentar arrefecer os ânimos e costurar algum tipo de trégua, ao menos durante o período eleitoral.
No entanto, a avaliação é de que as chances de uma resolução efetiva são baixas. Ministros ouvidos pela reportagem indicaram que a crise tende a se aprofundar nas próximas semanas.
"Eu conversei ontem à noite com um ministro, logo após a sessão, e eu perguntei a ele qual era a expectativa daqui para frente. Ele falou: 'piorar'", relatou Cury.
O analista apontou ainda que Fachin saiu desgastado da sessão, após ter sido desautorizado pelo ministro Flávio Dino, e que Cármen Lúcia, apesar de ser respeitada pelos colegas, não possui grande poder de articulação interna.